A comitiva conhecerá a experiência da Associação Algas e Pescados Pitangui, na praia de Pitangui, e da Associação de Artesãs de Massaranduba, em São Gonçalo do Amarante. Os dois projetos são desenvolvidos apenas por mulheres.
A visita encerrará com uma reunião com a equipe da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH) que fará explanações sobre o Projeto Semiárido Potiguar.
Algas e Pescados Pitangui
Projeto muda vida de mulheres em Pitangui
A vida de 19 mulheres (esposas de pescadores) da praia de Pitangui, município de Extremoz, Litoral Norte do Rio Grande do Norte, mudou desde maio de 2004. Elas deixaram de ser apenas donas-de-casa, ajudantes de reparos de redes de pescar e catadoras de algas nas praias e fundaram a Associação Algas e Pescados Pitangui. Através da Associação, elas conseguiram idealizar, preparar e aprovar um projeto junto ao Programa Desenvolvimento Solidário/ Projeto de Redução da Pobreza Rural (PCPR RN), para o financiamento da recuperação de um prédio público que estava abandonado, como, também, obtiveram recursos para a compra de equipamentos, além de treinamentos e capacitação para o trabalho de beneficiamento de alimentos derivados do peixe, como lingüiça, almôndegas, bolinhos e hambúrgueres. Elas tiveram apoio de três homens durante todo o processo, também integrantes da Associação.
Antes, elas recebiam entre R$ 40 e R$ 80 da venda das algas colhidas na beira do mar. Hoje, ganham cerca de um salário mínimo. Algumas das sócias mudaram tanto o seu estilo de vida que voltaram a estudar após vários anos, como é o caso de Viviane Soares, que cursa Administração de Empresas na Universidade Potiguar (UNP). “Era um sonho que eu tinha antes”, disse. Ezilda Rodrigues voltou a estudar depois de 19 anos. “Hoje sei que tenho condições de crescer”, destaca Ezilda.
Dona Edvalda Siqueira é mais um exemplo de superação dentro da Associação. Antes ela cortava lenha no mato e vendia para ter dinheiro para comprar o leite para alimentar seus filhos. Depois, passou um tempo lavando e passando roupas em Natal e, posteriormente, passou a ser catadora de algas na beira do mar, quando arrecadava cerca de R$ 40 ao mês com sua venda. Hoje, ela ganha em média um salário mínimo mensalmente, fruto do trabalho com o beneficiamento de peixe, o suficiente para fazer suas compras no supermercado, pagar água, luz, telefone e até economizar R$ 100. “Não devo nada a ninguém. Está bom demais”, disse satisfeita.
Por semana são produzidos cerca de 800 kg de embutidos de peixe. O alimento produzido é vendido para o Programa Compra Direta, do Governo do Estado, e para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), da CONAB. A Associação foi beneficiada com o valor de R$ 47.802,10 na primeira fase do Projeto.
As integrantes da Associação Algas e Pescados Pitangui, agora, se preparam para ampliar e melhorar a sua estrutura produtiva, visando alcançar outros mercados e pontos de comercialização. Para tanto, apresentaram um projeto e, inclusive, já assinaram o convênio, quando será contemplada com o valor de R$ 93.159,01, para ampliação do prédio onde trabalham e para aquisição de uma câmara fria.
Fase 2
Litoral Norte – Extremoz – Associação Algas e Pescados Pitangui - Ampliação de Prédio,
Beneficiamento de Pescado, Frigorífico – R$ 93.159,01 – 19 famílias beneficiadas
Associação das Artesãs de Massaranduba
A Associação das Artesãs de Massaranduba – ARTMAR - foi fundada em 20 de outubro de 2003, com 10 sócias, na comunidade de Massaranduba, município de São Gonçalo do Amarante. Elas produziam, individualmente, bonecas de pano, peças em crochê e bordados em panos de prato e sentiram a necessidade de se organizarem para comercializarem seus produtos. Resolveram, então, fundar uma associação.
Já em 2004, o grupo das artesãs foi identificado pelo Artesanato Solidário, de São Paulo (SP), em um curso de alfabetização para adultos. A equipe percebeu que algumas dessas mulheres dominavam a técnica do trançado da palha de carnaúba de forma tradicional, sem que o seu saber, no entanto, fosse efetivamente para a renda. A partir daí as artesãs de Massaranduba foram capacitadas com uma série de oficinas, dentre as quais a de gestão associativa e de aprimoramento do produto.
A ARTMAR foi uma das entidades favorecidas durante a primeira fase do Programa Desenvolvimento Solidário, com o valor de R$ 41.225,18, que foi utilizado para a construção do prédio onde trabalham. Para Jeane Ferreira, uma das idealizadoras e ex-presidente da associação, o apoio do Desenvolvimento Solidário foi fundamental, uma vez que, antes da construção do prédio, os membros da associação trabalhavam embaixo de árvores.
Os produtos da associação estão em processo de comercialização. Participam do Programa de Artesanato da Secretaria Estadual do Trabalho, da Habitação e da Assistência Social – SETHAS, do Governo do Rio Grande do Norte, por onde é possível a participação em diversas feiras por todo o Brasil.
Jeane Ferreira já participou de seminários em Lisboa e Madri, em 2008, e em maio deste ano esteve no Curso Qualidade e Sustentabilidade: o seu impacto sobre a comercialização em pequenas empresas artesãs da América do Sul, que ocorreu em Santa Cruz de La Sierra, Bolívia.
Hoje a associação conta com a participação de 17 artesãs diariamente. No entanto, dependendo da demanda de encomendas, essa quantidade de mulheres pode chegar a 45 e a produção até 500 peças por mês.
As integrantes da ARTMAR estão se organizando para a apresentarem um subprojeto para reforma e modernização do prédio onde trabalham.
O produto
A matéria-prima, a palha de carnaúba, é adquirida dos agricultores dos municípios de Açu e Ceará-Mirim. O corante que tinge a fibra é comprado nos mercados de Natal e de outros Estados.
Presidente da Associação: Rosimeire Maria Flores da Silva
Valor do subprojeto : PCPR II – FASE 1 - R$ 41.225,18
Cibele Silveira
Assessoria de Imprensa
Desenvolvimento Solidário / SETHAS


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