Padre José Mário Na noite de quinta-feira, 29 de outubro de 2009, as dependências da Livraria Siciliana ficaram inteiramente lotadas de parentes e amigos do Pe. José Mário de Medeiros, para prestigiarem o lançamento do livro sobre Dom Marcolino.
A enfatizada livraria está situada na Av. Hermes da Fonseca, num Shopping denominado Midway, outrora Fábrica de Confecções Guararapes. O evento teve início às 19h, com a palavra do escritor que durante 15m falou da alegria em alcançar seu desiderato. Depois, falou o presidente da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, Diógenes da Cunha Lima, que teceu largos elogios ao biografado. Achava-se presente um casal da cidade de Campo Grande, Capital do Mato Grosso de Sul, cujo esposo era sobrinho de Dom Marcolino. A festa terminou às 11h.
Dom Marcolino
Conforme coletei no livro do escritor, o 4º Bispo de Natal, Dom Marcolino Esmeraldo de Souza Dantas nasceu na cidade de Inhambupe, Estado da Bahia, no dia 22 de Janeiro de 1888. Entrou no Seminário em 1901 aos 13 anos e, em 1910, aos 22 anos, recebeu o Presbiterato. Foi sagrado Bispo na capital baiana em 19 de maio de 1929, e no dia 29 de Junho do mesmo ano tomou posse da Diocese de Natal, substituindo Dom José Pereira Alves. Por volta do ano de 1953, foi acometido de uma deficiência visual incipiente que se tornou progressiva até, que em 1961, totalmente cego, viu-se obrigado a passar o cargo para Dom Eugênio Sales, seu auxiliar desde 1954.
Faleceu no dia 08 de abril de 1967.
Os caicoenses não podem esquecer o benefício que ele fez a esta cidade, fundando a Diocese em 1939, promessa cumprida por ocasião de sua visita em companhia do Governador Dr. Juvenal Lamartine no mesmo ano de sua posse. Quatro anos antes, em 1935, ele fundou a Diocese de Mossoró.
Malgrado as dificuldades, pois mesmo após os autógrafos, eram muitos que queriam cumprimentá-lo, tirar fotos e os saudosistas lembrarem os tempos idos, o representante do Correio do Seridó encontrou uma brechinha para entrevistá-lo, interrompida várias vezes pela presença de um imiscuído.
Correio de Seridó: O que o impeliu escrever sobre Dom Marcolino?
Pe. José Mário: O fato de Dom Marcolino ter sido Bispo do Rio Grande do Norte durante tanto tempo com uma inestimável folha de serviço e até agora ninguém escreveu sobre ele. Para atingir esse desiderato, numa atitude de quem garimpa, adentrei em velhos manuscritos.
Correio do Seridó: Como você define Dom Marcolino?
Pe. José Mário: Um grande pastor, que mesmo tendo perdido a visão física, não perdeu a visão de Igreja.
Correio do Seridó: Quais as dificuldades encontradas nesta pesquisa?
Pe. José Mário: A maior foi relacionada com as fontes, geograficamente distantes. A outra foi a falta de solidariedade de colegas, incluindo os bispos que poderiam ter contribuído com informações. Reiteradas vezes bati a porta de colegas em busca de ajuda e tudo ficava no campo da promessa.
Correio do Seridó: Quantos anos você levou para concluir esse trabalho?
Pe. José Mário: Ao todo foram cinco anos, incluindo os três volumes. Além do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte empreendi viagem à Salvador.
Correio do Seridó: Como você se sente escrevendo sobre uma pessoa tão ilustre?
Pe. José Mário: Para mim foi uma graça de Deus muito grande. Até porque foi uma novidade escrever sobre Dom Marcolino. Costumamos escrever sobre os que chegam e às vezes esquecemos os que passaram.
Correio do Seridó: Você pretende escrever sobre outros vultos?
Pe. José Mário: Sim; pretendo publicar o 2º e 3º volume deste livro e depois sobre Dom Manoel Tavares. Você me ajuda?
- Sim.
Por Adauto Guerra


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